Domingo, Setembro 24, 2006

Na neve

Apesar de termos colocado o alarme para as 8, não saímos da cama antes da 9, o que, somado ao demorado (e leve) café da manhã, fez com que chegássemos à estação de esqui por volta das 11:30.
O esquema do café da manhã no hotel funcionava de duas formas: ou se compram os itens e se usam as dependências da cozinha e do refeitório ou se compra o café e se come o que estiver disponível. Isso vale também para as demais refeições.


O Albergue da Juventude no caminho para a estação


Tanto o caminho quanto o entorno da estação são muito bonitos e rendem várias fotos para quem estiver disposto a parar a cada dois minutos. Como eu realmente ainda não estava no pique, tirei algumas fotos de dentro do carro e continuei subindo.


O entorno



Vista panorâmica da estação


Uma vez na estação acabou rolando uma divisão em dois grupos: no primeiro foi liderado pelo meu primo que já possui grande experiência na neve e que serviria de instrutor para a galera e no segundo fiquei eu e meu sobrinho de colo. Confesso que, apesar do cansaço noa braços, não foi nada ruim segurar o moleque nos braços enquanto ele dormia sossegado e quentinho no meio daquela neve toda.

Pouco mais de uma hora depois, minha irmao voltou mancando: ela havia levado um feio tombo frontal e por pouco não se machucou com mais gravidade. Seria mais uma para eu carregar no colo e aí eu acho que a coisa ficaria feia pois a idade já não me permite certas estripulias.

Àquela altura eu já havia desistido de esquiar, mas de tanto ouvir as insistências da Minha Mineira, acabei mudando de idéia e comprando o passe para meio dia, que era a única coisa que valia a pena naquele momento. Com isso acabei abrindo mão de um passeio de trenó puxado por huskies, mas tudo bem. Não se pode ter tudo na vida, pelo menos não tudo ao mesmo tempo.

Ao me ver pegando os esquis, minha sobrinha se animou e me seguiu.
Desci a pista de iniciantes uma vez e depois me dediquei a ajudar a minha sobrinha nos rudimentos da neve. Acabei novamente virando um pseudo-instrutor mesmo tendo cerca de 12 horas de experiência com esquis, neve e estações.
Eu a ajudei a ficar em pé e curtir mais a experiência, já que até então ela não estava gostando da tarde. Parece que depois das minhas aulas porcas, a coisa melhorou.
Logo depois ela quis comer alguma coisa com o meu primo e os filhos dele e eu pude descer mais vezes. Desci tantas vezes quantas foram necessárias para ganhar controle sobre os esquis, mas isso não era nada comparada à performance da Minha Mineira, que desceu mais de 20 vezes e seguramente foi quem mais aproveitou a tarde de esqui.


Para baixo todo santo ajuda


O caminho de volta para devolver os esquis foi a hora das paradas para tirar fotos e de comprar mais coisas para comer no hotel.
Comemos, tomamos banho, jantamos, pagamos e fomos embora.


Uma das paradas fotográficas



Outra parada


No caminho, paramos para tomar um café e seguimos para Conce, onde chegamos perto da meia-noite, pelo mesmo caminho da ida.
A segunda experiência da Minha Mineira na neve havia sido infinitamente melhor do que a primeira e ela já estava animada para a terceira, mesmo que isso demorasse alguns anos.

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Sábado, Setembro 23, 2006

Indo para o frio

Meu primo ficou de nos pegar às 09:30, o que nos fez acordar bem cedo para preparar as crianças e as nossas próprias coisas, mas parece que ocorreu um pequeno problema de comunicação e ele chegou somente às 11:00.
Mesmo que já tivéssemos tomado café da manhã, demoramos um pouco para sair, passamos para pegar meu outro primo e (mais importante) seus equipamentos de esqui e finalmente pegamos a estrada.

Não demorou muito e paramos novamente já que havia que abastecer os carros.
Meu primo havia me emprestado o carro da esposa dele e como era do mesmo modelo do nosso, me senti literalmente em casa.
Colocamos todas as crianças para fazer xixi, compramos uns sorvetes e voltamos para o caminho de Chillán, a Rodovia do Itata, um caminho novo e bem confortável.

Não foi lá muito difícil chegar até Chillán, mas o mesmo não pode ser dito do nosso trajeto até o shopping. Nos perdemos muito até conseguirmos chegar lá e acabamos entrando pela parte que o shopping dividia com o mercado, o que nos colocou à mercê dos "promotores de vendas" dos restaurantes.
Como a esposa do meu primo não era muito fã dessas comidas mais "autênticas", escapamos rapidamente pelos corredores e logo chegamos ao setor das lojas.
Chegar à praça de alimentação foi fácil e logo depois começou outra peregrinação: decidir o que cada um ia comer.
A prudência nos fez cuidar dos nossos próprios narizes e não demorou muito até que estivéssemos nos perdendo novamente pelas ruas de Chillán.
Felizmente encontramos o caminho para a montanha e seguimos animados em busca da neve nas Termas.


A neve lá longe,...



...um pouco mais perto...



...e bem pertinho mesmo.


Chegamos às Termas por volta das cinco da tarde e começamos a nossa peregrinação para alugar roupas e equipamentos de esqui para todos, inclusive para as crianças.
A idéia era fazer isso antes de ir dormir, pois no dia seguinte sairíamos cedo para a estação.
Depois de várias subidas e descidas no morro, finalmente augamos o equipamento. Isto é, quase todo, por que ainda tivemos que apelas para umas barraquinhas de beira de estrada (em frente ao Albergue da Juventude) para comprar luvas para quase todo mundo.
Apesar do vai e vem, acabou sendo divertido.

O lugar onde ficaríamos se chamava Ruca Piren e fornece descontos aos funcionários da siderúrgica Huachipato, caso do meu tio. Além desse benefício, esse meu tio ainda é amigo do dono do lugar, o que nos trouxe um muito bem vindo desconto de 50% na diária.
Cada quarto, com capacidade para 6 ou 7 camas ficou em $ 15.000,00.

Depois de devidamente acomodados, fomos matar a fome na pizzaria Chilin, que ficava um pouco abaixo da pousada, na mesma estrada. Pegamos duas mesas redondas no fundo do lugar e tomamos um bom vinho e comemos um pizza honesta, mas bem longe do meu sonho de consumo.
Saciados, enfrentamos o frio e voltamos para o hotel, para descansar a carcaça e preparar a mente para o festival de tombos do dia seguinte.


A pizzaria salvadora


Gastos:
Pão: $ 390,00
Gasolina: $ 25000,00
Banheiro: $ 100,00
Roupas de esqui: $ 14500,00
Pizza: $ 10000,00
Luvas: $ 7500,00
Bebidas: $ 1500,00
Tickets: $ 20000,00
Casa: $ 10000,00
Águas: $ 1400,00
Posto: $ 990,00
Telefones: $ 200,00
Passagens: $ 5000,00
Lanches: $ 2200,00

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Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Dia do nada

Para começar outro dia em Conce, duas observações:
- o som do momento no Chile é o reggaetón de Daddy Yankee, Vico C e outros; tudo me parece muito parecido a um "rap hispânico";
- o país vive várias ocorrências de greves e enfrentamentos de funcionários da saúde e de professores, uma coisa bem próxima dos protestos com queima de ônibus que costumam acontecer no Rio.

Acordamos tarde e tínhamos planejado ir até Talcahuano para ver o Huáscar, mas minha irmã me disse que infelizmente não poderia ir por conta de problemas de trabalho.
Por conta disso, assumimos que nada aconteceria naquele dia e resolvemos não brigar com o mundo por conta disso.

Almoçamos o macarrão de panela de pressão da Minha Mineira (sem carne no molho) e ficamos a tarde inteira vendo o concurso de Miss Italia na TV.

Ficamos em casa até o final da tarde quando saímos em direção à Ripley e aos seus balcões de ofertas.
Depois de muito pesquisar e experimentar, a Minha Mineira comprou um conjuntinho de veludo, que obviamente não poderia ser trocado em caso de problemas.
Felizmente nada aconteceu e ela saiu feliz com a nova aquisição.

Voltamos à Trigales onde tomamos un café e ficamos um bom tempo conversando.

Quando chegamos em casa, minha irmã nos informou que nossa ida para Termas de Chillán estava confirmada para a manhã seguinte, o que nos deixou bastante saitisfeitos.
Voltar a esquiar seria uma ótima forma de compensar aquele dia inteiro sem atividades.

Para embalar o sono, uma sopinha Maggi e pouca conversa.

Finalizando o registro do dia, mais uma observação importante:
- descobrimos que a presença massiva de bandeiras nas casas possui um componente de "incentivo" por parte do governo: uma lei que rende uma multa a quem não exibir o estandarte em frente de casa.
Desse jeito, até no Brasil, que só mostra seu patriotismo em época de Copa do Mundo, a coisa funciona.

Gastos:
Compras: $ 3580,00
Café: $ 1320,00

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Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Compras

Mais uma manhã preguiçosa, como devem ser as manhãs durante as férias.
Só saímos de casa depois da uma da tarde e fomos encontrar a minha irmã em frente ao Almacenes Paris da Barros Arana.
Aliás, por falar nisso, notei que ao contrário do que acontece no Brasil, aqui no Chile ainda perdura com muita força o conceito de grandes lojas de departamentos, ao estilo do saudoso Mappin, que eu adorava visitar para me perder no andar dos brinquedos.
Além da Paris, existem a Falabella e a Ripley, todas com fachadas bem coloridas, muita variedade de produtos e muita bagunça, principalmente durante as liquidações.
Comparando todas as propostas, fiquei com a impressão de que a Ripley é a mais popular delas e a Falabella a mais sofisticada.
Uma semelhança entre todas é a segurança ostensiva, opressiva e militarizada, onde os seguranças te seguem aos provadores, não param de falar nos walkie-talkies, te olham com cara de poucos amigos e fazem questão de ser antipáticos, principalmente quando questionados sobre alguma orientação na loja.
Notei o mesmo com os seguranças dos supermercados.
Parece que vestir um uniforme faz mesmo diferença neste país.

Mesmo que nosso ponto de encontro fosse a Paris, acabamos fazendo compras na Ripley, o único lugar onde encontramos a calça que minha sobrinha tanto queria.
De lá caminhamos na direção do Bairro Universitário e almoçamos em uma lanchonete de kebab chamada Waya´s Gyros, que fica na Plaza Peru. Como tenho um certo receio daquele amontoado de carne servido aqui no centro de Sampa, fiquei com dúvidas se deveria encarar o quitute, mas minha irmã me convenceu e partimos para cima da comida.


A casa do kebab


Voltamos para casa, terminamos de ver o filme e saímos logo depois com a intenção de conhecer o Mercado Central, um lugar onde meu pai deve ter passado horas e horas durante seus tempos de faculdade.
Como vínhamos com a imagem do mercado de Santiago na cabeça, entrar no de Conce foi bastante decepcionante. O lugar parecia meio abandonado e estava bastante mal cuidado, com pouca iluminação e muito poucos atrativos para o público.
Fiquei pensando em como meu pai ficaria triste em vê-lo desse jeito.
Como já estávamos lá, aproveitamos as lojinhas populares da parte externa e compramos alguns presentinhos para as filhas dos amigos.

Do mercado caminhamos até a Catedral e fizemos os tradicionais três pedidos ao entrar nela pela primeira vez.
A Catedral fica na Plaza Independencia e como estávamos com fome, pegamos a Calle Caupolicán e fomos tomar café e comer empanadas no Café Trigales, que serve também doces argentinos (que levamos para casa) e é bastante agradável, apesar do excesso de fumaça de cigarro.


O Trigales


Caminhamos de volta para casa e fomos decidindo o que teríamos para o jantar.
Era necessário fazer isso logo para que pudéssemos ir ao supermercado e comprar as coisas.
Terminamos a noite comendo queijos, tomando vinhos e conversando sobre o passado no Brasil. Apesar do cansaço, foi um belo dia em família.

Gastos:
Presentes: $ 5000,00
Café: $ 4600,00
Supermercado: $ 13391,00

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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Dolce far niente

Nada de útil para ser feito resultou em tempo demais na cama.
Ou melhor, nada de útil que quiséssemos fazer. Nem mesmo a necessidade de trocar dólares nos fez sair do ninho antes do meio dia.
O máximo que fizemos foi acompanhar o canal El Gourmet e babar com aquelas delícias.

Quando finalmente saímos de casa, o almoço estava começando a ser preparado, o que nos indicada que deveríamos ser breves.
Fomos caminhando até a Galeria Internacional, em frente à Plaza Independencia, consultamos algumas das casas de câmbio e nos decidimos pela que nos parecia mais idônea.
As cotações eram todas muito parecidas, por isso não quisemos falar com todas as moças por trás dos vidros de segurança.

Devidamente endinheirados, paramos para algumas fotinhos em frente aos tribunais e corremos para pegar o almoço.


Los Tribunales



O libertador, Bernardo O´Higgins, em frente aos tribunais


Mal deu tempo de escovar os dentes e já estávamos novamente na rua, desta vez para percorrer a Barros Arana em busca de calças para a minha sobrinha pré-adolescente, o que por si só já significava que teríamos uma infinidade de lojas para visitar e de peças para experimentar.
A Minha Mineira aproveitou a oportunidade e também adquiriu algumas pecinhas que estavam em liquidação.

Feitas as compras, acompanhamos minha irmã até o médico e depois recompensamos nossos estômagos comendo deliciosos completos (um cachorro-quente cheio de deliciosos acompanhamentos) na tradicional Fuente Alemana que, apesar das reclamações do povo de Santiago que a acusa de cópia, vive cheia de gente querendo matar a fome e a sede.

A última parada antes da volta ao lar foi o supermercado onde fomos comprar ingredientes para o almoço do dia seguinte: resolvemos fazer ceviche com um salmão processado que a minha irmã tinha na geladeira e mal sabíamos a roubada e que nos meteríamos.

Pausa para uma análise sobre um comentário feito pela Martha Medeiros no livro "Santiago do Chile": ao contrário do que ela fez questão de registrar, o povo chileno, ou ao menos a ala jovem, é mal cuidado e feio, bem diferente da aura de elegância que ela mencionou.
As mulheres de Conce não se preocupam com a manicure e estão com os cabelos constantemente mal arrumados,.
Pode ser uma questão geográfica, já que ela se baseou na capital, mas acho interessante registrar esta visão divergente. Quanto mais informação, melhor.

Além da parte física, existe o comportamento em sociedade: as pessoas se atropelam nas ruas, andam coladas umas às outras e atravessam a sua frente sem nenhum aviso. Fiquei com saudade da cordialidade brazuca.
Uma palavra para a sensação de andar nas ruas de Conce: incômodo.

Voltando à rotina na casa da minha irmã, alugamos e assistimos a quase todo o filme "E se fosse verdade" com a Reese Whiterspoon.
Paramos por que já era tarde e minha sobrinha precisava dormir para ir à escola na manhã seguinte.
Mas antes de dormir, assistimos a uma homenagem ao Steve Irwin, o caçador de crocodilos, no Animal Planet.
O cara havia morrido pouco tempo antes, vítima de uma arraia marinha, e as imagens e depoimentos foram bastante emocionantes.
Fomos dormir com o espírito tranquilo e com os olhos lavados.

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Terça-feira, Setembro 19, 2006

Na praia de jeans

Começamos o dia muito bem: acordamos justo na hora de almoçar, o que não nos impediu de ignorar o fato e tomar café como se fossem oito da manhã.
Nem havíamos acabado de comer quando recebemos uma ligação do meu primo nos convidando para um passeio pela praia. Para quem não conhece o litoral chileno, isso não significa se cobrir de protetor solar e se armar de esteiras e guarda-sol, mas sim comer em algum lugar com vista para a costa, encher os sapatos de areia grossa e não dispensar um bom moletom quando o sol vai embora.
Nada a ver com o litoral brasileiro, mas ainda assim é um bom programa, nem que seja para rir das diferenças.

Ele ficou de nos pegar às 13:30hs, o que nos dava a certeza de que saída não aconteceria antes das 14:00hs.
Pontualmente às 14:15 ele chegou e trouxe uma novidade: o seu segundo carro, o que significava que eu me arriscaria pelas estradas chilenas.

Rodamos uns 40km margeando a costa e chegamos a uma cidadezinha chamada Dichato.
Não foi nenhuma surpresa encontrar uma areia escura e uma água congelante.

Paramos em um restaurante chamado Montecarlo, pedimos os mais diversos pratos oriundos do mar e bebemos refrigerante até cansar.
A ausência de álcool me fez sentir na Suiça, mas depois me lembrei que meus sobrinhos estavam no carro comigo e aceitei o limite de bom grado.
Nada como a segurança no volante.


O Montecarlo


Como eu já esperava, meu tio não me deixou colocar a mão no bolso, o que me fez agradecer e sair com o povo para a beira da praia.
A idéia era deixar as crianças (minha sobrinha e os filhos do meu primo) brincarem até a exaustão enquanto esperávamos o pôr-do-sol.


Dizendo adeus ao sol


O sol finalmente foi embora e tomamos o caminho da roça.
Voltamos por um caminho diferente e, quando nos deixou em casa, meu primo deixou em aberto uma possível ida a Termas de Chillán no final de semana.
Isso foi algo maravilhoso de se ouvir já que a temporada estava acabando e não teríamos mais muitas chances de fazer algo legal durante a viagem.

Fechamos o dia com um fondue de queijo e fomos nanar de barriga cheia e sem preocupações.
Ah, se sempre pudesse ser assim.

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Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Fiesta pátria

Sempre achei que o dia 18 de setembro era o dia da Independência, mas precisei estar no Chile nesse dia para descobrir que estive enganado durante toda a minha vida.
O que aconteceu nessa data foi a designação da primeira junta de governo em 1810, passo fundamental para a libertação final dos espanhóis, daí o nome do feriado ser Fiestas Pátrias e não Independencia.
A proclamação da Independência por Bernardo O´Higgins aconteceu em 12 de fevereiro de 1818.
Vivendo e aprendendo.

Também precisei estar por aqui durante as celebrações patrióticas para perceber que o Chile parece possuir dois mundos bastante diferenciados: o de Santiago (que se parece um pouco com o de muitas grandes cidades pelo mundo) e o do resto do país, seja interior, montanha ou litoral.
Esse "resto" parece tão interiorano (até mesmo nas cidades maiores) que a adaptação de qualquer estrangeiro ou forasteiro é bem mais difícil.
Só Santiago tem metrô e mesmo nas coisas banais como comprar pão ou usar o transporte público, as dificuldades fora da capital são maiores.

Depois de tantas descobertas essenciais para a minha vida, acho melhor contar que acordamos relativamente tarde e fomos dar um passeio pelos parques da cidade.
Começamos pelo Parque Ecuador que ficava ali pertinho do bairro universitário e curtimos bastante o movimento e as apresentações musicais ao ar livre na fonda oficial da cidade, uma espécie de mega-barraca com música, dança e comida.
O povo curtia bastante as celebrações e aproveitava para comer e beber tudo aquilo que eu imagino que não seja tão acessível durante a correria do dia a dia.


O Parque Ecuador e a festança


De lá, caminhamos pelo Centro e passamos pela bela Plaza Independencia, onde fica a Catedral Metropolitana e onde circula uma boa quantidade de gente todos os dias.
A Barros Arana, provavelmente a principal rua da cidade, passa em um dos lados da praça e isso aumenta a sua importância.


A Plaza Independencia



A Catedral Metropolitana



Mais Plaza Independencia


Estava ventando gelado e ficamos com fome, por isso resolvemos caminhar só um pouco e ir almoçar no Rincón Marino.
Infelizmente, apesar da comida gostosa, novamente o serviço deixou a desejar o que nos levou a pensar que isso seria uma rotina durante a viagem.


El Rincón Marino de Concepción


Já com a fome mortinha da silva, voltamos para a Plaza Independencia e compramos sorvetes de chirimoya, que é uma fruta parente da fruta-do-conde, não muito saborosa fresca, mas que funciona muito bem em sorvetes e geléias. Delícia!

Meu tio, irmão do meio do meu pai, chegou pouco depois de voltarmos para casa.
Ele não quis gastar muito tempo conversando e já nos colocou dentro do carro para passear pela cidade.
Minha sobrinha veio conosco, mas minha irmã e o pequerrucho preferiram descansar.

A primeira parada do tour foi a cidade de Chiguayante, uma antiga cidade dormitório para estudantes, hoje uma razoavelmente elegante área residencial.
Algumas fotos na praça principal e novamente no carro rumo à universidade, provavelmente o maior cartão postal de Concepción.

Eu já havia estado naquela universidade inúmeras vezes e até a Minha Mineira já a conhecia, mas confesso que não reclamei em ter que vê-la novamente.
Cresci ouvindo histórias dos meus pais naqueles prédios. Estudos, jogos, debates políticos, namoros, festas e bebedeiras. Tudo isso fez parte da história deles durante a etapa mas gostosa da vida e, por consequência e herança, também faz parte da minha.


Universidad de Concepción


Apesar de estarmos meio cansados com o movimento do dia, não tivemos oportundade de deitar já que meu tio nos levou direto para a casa dele.
Pouco depois meu primo foi buscar a minha irmã e meu sobrinho e ficamos todos ali, comendo, bebendo, rindo e compartilhando histórias do passado e do futuro.
Coisas de uma rotina familiar que eu nunca vivi por ter ido viver longe deles tantos anos antes.
Gostei muito da experiência.

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Domingo, Setembro 17, 2006

Sobrinhos

Mais uma vez nosso dia começou quase no fim da manhã e com um belíssimo café da manhã. A novidade foi meu tio, o irmão mais velho da minha mãe, que havia chegado durante a madrugada.
Fazia tempo que eu não o via, alguns anos para ser mais preciso, mas isso não contou muito para colocarmos o papo em dia.
Para melhorar ainda mais a aproximação, foi ele mesmo que nos levou até a rodoviária de Linares para pegar o ônibus para Conce. Na verdade, ele não foi sozinho: a namorada o acompanhou.
Aliás, depois fiquei sabendo que essa mesma namorada era motivo de reclamações por parte da minha avó: meu tio ficava com ela até altas horas e às vezes nem dormia em casa. Ciúme puro, já que meu tio tem mais de 60 primaveras nas costas, duas ex-mulheres e um neto.

Esperamos um pouco, conversamos mais e logo tomamos o caminho do Sul em um ônibus da empresa Biolinatal.
Paramos brevemente em Parral (terra de Neruda) e Chillán e não deu tempo de fazer muito mais do que tirar água do joelho e esticar os joelhos.
Durante a viagem colocamos em dia nosso conhecimento de cinema de terror com a nova versão de "A profecia" e com a primeira parte de "O grito", que não conseguimos ver inteiro. Achei meio forte para uma tarde chilena e para uma platéia de senhoras e crianças, mas preferi não reclamar para o motorista e correr o risco de ser abandonado na Panamericana.

Desembarcamos na rodoviária ao lado do Estádio Regional, ligamos para a minha irmã e tomamos um táxi para o bairro universitário, a poucos minutos dali.

Quase fiquei paraplégico ao levar as nossas malas escada acima no prédio da minha irmã, mas todo esforço e toda dor foram compensados pela visão dos meus sobrinhos.
Na verdade, a minha sobrinha morou na casa dos meus pais durante vários anos, o que gerou uma ligação forte entre nós, mas o menino havia nascido no Chile poucos meses antes, o que significava que estávamos nos conhecendo naquele momento. E foi muito legal. Não que ele tenha me amado logo de cara, mas não demorou muito até que ele passasse a confiar em mim e me deixasse babando ao distribuir um monte daqueles sorrisos banguelos tão característicos nos "girinos", logo depois que chegam ao nosso mundo.


O "girino" que eu não conhecia


Durante o almoço, conversamos bastante com a minha irmã e o pseudo-namorado (que vem a ser pai do meu sobrinho) e falamos sobre viagens ao Sul (Puerto Montt foi o nome mais citado), viagens a Termas de Chillán com meus tios e outras opções mais distantes e caras. Tudo vai depender dos preços e da disponibilidade nesta semana de Fiestas Pátrias. Provavelmente, nada acontece antes da quarta-feira, primeiro dia útil depois do feriadão.
Toda a conversa aconteceu ao som da Radioactiva (FM 105,5), uma rádio com muitos flashbacks, nenhum comercial e nenhuma locução. Ideal para quem só quer saber de música.

Quase me esqueço de mencionar o cardápio do almojanta: salmão ao forno, arroz e salada "de doente", que é como eu costumo chamar aquelas onde o sal não passa nem perto. Credo!

O final do dia teve outro momento "de colo": o sobrinho recém-apresentado dormiu no meu colo e ficou encostando a penugem da cabeça no meu braço. Quase deu vontade de ter o meu. Quase.

Gastos:
Telefone - $ 100,00
Táxi - $ 3000,00

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Sábado, Setembro 16, 2006

Paz

Queria dizer que já estava cansado de não fazer nada na casa da minha avó, mas felizmente isso não era verdade.
Eu estava adorando o processo de engorda que significava acordar tarde e fazer cinco refeições por dia.
Melhor que isso, só em um Royal Caribbean da vida.

O sábado não foi diferente e contou com a presença de outro tio que havia chegado de Santiago durante a madrugada. Só o encontramos na mesa do café, o que garantiu a comilança por bem mais do que uma hora.
O assunto principal da conversa, obviamente, foi comida e terminamos o café com o compromisso de fazer um risoto de calabresa para o almoço.

Para queimar algumas das milhares de calorias ingeridas no café da manhã, fomos dar uma volta na velha praça da minha infância, agora um pouco mais renovada e já sem a fonte, que já havia significado alguns acidentes nos meus primeiros cinco anos de vida, e o canhão.
No lugar deles, um cimentado marcando o centro da praça.


O centro da praça



O RG da praça


Uma das poucas novidades do local era uma homenagem ao poeta-mor da terra, Pablo Neruda.
Na verdade, a homenagem não estava bem na praça, mas sim a poucos metros dela, na calçada da agência dos correios.
O "Tintero de Neruda" era uma reprodução em concreto e metal de um pote de tinta e de uma pena que o poeta devia usar para compor suas obras.
Apesar do resultado meio duvidoso, achei que valeu pela intenção e pela homenagem.


O tinteiro


Como já é tradição nas vezes em que visito Villa Alegre, antes de voltar para a casa da minha avó, fomos ver a Casa Grande, que ficava ali pertinho.
Ela parecia melhor e mais bem cuidada do que em 2004.
Melhor para minhas memórias. Vivi muita coisa boa nessa casa, mas não tive coragem de pedir licença ao funcionário da Prefeitura e entrar. A casa já não era mais nossa, digo, da família, há alguns anos, mas as memórias ainda nos pertenciam e achei que entrar lá poderia mudar isso.
Optei pela segurança da distância e só tirei algumas fotos e contei algumas histórias para a Minha Mineira. Acho que algumas delas não eram lá muito verdadeiras, mas ela não se importou nem um pouco.


A Casa Grande


Antes de voltar para casa e esquentar a barriga no fogão, tiramos algumas fotos de uns vasos gigantes e de uns canteiros de flores que decoravam as calçadas. Tudo muito bonito e cuidado como não se vê muito aqui em Sampa.



O arroz não era arbóreo, a calabresa parecia mumificada, o fogão era mais velho do que eu e minha avó nos olhava de um jeito muito desconfiado, mas conseguimos vencer todos os desafios e preparamos o tal risoto para o almoço.
Não sei se foi desconfiança ou o que, mas por segurança, a minha avó preparou uma cazuela de pavo con chuchoca, algo como canja de peru com uma espécie de fubá, prato muito bom, por sinal.
Como para a gente não havia tempo ruim, comemos o risoto e a canja.
Vale registrar que minha velha avó ficou só na sopinha.

Depois de um sono rejuvenescedor, resolvemos caminhar um pouco até uma das entradas da cidade e visitar meu velho tata (avô) no cemitério local.
Nem me lembrava quantos anos haviam se passado desde a última visita, mas me senti bem percorrendo aquele caminho bonito e simples e localizando a gavetinha onde o corpo dele havia sido colocado quase 30 anos antes.
Sim, por que dele ali só havia o corpo. O resto devia estar em alguma vinha do Céu, cuidando da produção para algum figurão da Comissão Técnica do Céu.
De vez em quando sinto que ele segura as barras que não deixo ninguém mais tocar e relaxo bastante.
Gracias, Tata.



Na volta para casa, algumas fotos do pôr-do-sol e da igreja local, declarada monumento nacional alguns anos antes.





Fomos dormir assistindo ao primeiro Exterminador do Futuro e pensando na viagem e no encontro com a minha irmã e os sobrinhos.
Concepción e o Sul nos esperavam, mas sentiríamos saudade da velha e boa Villa Alegre.
Da minha avó, não. Ela estaria comigo durante toda a viagem, por isso não havia motivo para sentir saudades.

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Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Desfiles

Dia de acordar tarde, comer muito e ligar para os parentes.
E de ir até Linares para comprar passagens de ônibus para Concepción, de comprar carnes no supermercado e de ver desfiles militares na rua principal de Villa Alegre, com os característicos capacetes nazi.
Para finalizar, noite de churrasco na casa dos tios, de comer exageradamente, de beber moderadamente e dormir suficientemente.
Um dia de vida boa e serena. Como deve ser.



Gastos:
Passagens - $ 6000,00
Pedágio - $ 500,00

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Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Festa do interior

Um dia dedicado inteiramente ao dolce far niente.
Nada de passeios, festas, jantares ou compras.
Apenas uma sequência arrastada de despertar-comer-descansar-conversar-ver TV-comer de novo-conversar de novo-comer de novo.

Minto.
O dia não teve só essas coisas maravilhosamente entediantes.
Tivemos também que ir até Linares para comprar as passagens para Concepción, o que consumiu cerca de duas horas do nosso dia.
Mas não dá para chamar uma viagem de 40 minutos em um carro ano 85 de emocionante, certo?

Ah, e teve também um passeio a pé, em meio a um vento cortante, para acompanhar uma apresentação de cueca, a dança nacional chilena, em frente ao museu histórico da cidade.
A cueca tem um apelo parecido ao do pagode aqui no Brasil, porém com um reconhecimento bem mais significativo, sendo até considerada como símbolo do país em qualquer evento oficial, dentro ou fora do país.
Como a apresentação era ao ar livre, buscamos um refúgio para a minha avó e ficamos, eu e a Minha Mineira, fotografando as danças que envolviam adultos e crianças, todos com as características roupas coloridas e sapatos pesados.
Tudo muito legal, mas depois da quinta dança, me cansei um pouco e só não fui embora por que a minha avó estava do outro lado.





Juntando a pitada de tédio e a boa quantidade de frio que fazia, resolvemos voltar para casa sem ver a exposição de cerâmicas que estava no museu.
Voltamos e já caímos no pipeño para esquentar o corpo e a alma.
Depois de vários copos, do jantar e de mais um monte de conversa, fomos para cama e dormimos como anjinhos.
Nada de TV e reality shows nessa noite.

Gastos:
Pão - $ 290,00
Sabonete - $ 260,00
Sorvetes - $ 1400,00

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Quarta-feira, Setembro 13, 2006

A magia do colo

O dia pós-insolação começou cedo e não havia muito tempo para preguiça: nosso ônibus saía logo cedo e tínhamos que chegar logo à Rodoviária.
Tivemos pouco tempo para lamentar a falta de timing com relação às liquidações de inverno: elas haviam acabado duas semanas antes e nossas compras de casacões de neve ficariam para uma próxima oportunidade.

Antes de pegar a estrada, três observações:
1 - o país cheio de bandeiras (por conta das Fiestas Pátrias) tem um grande componente de patriotismo sim (que no Brasil eu só vejo em tempos de Copa do Mundo), mas tem também uma grande ajuda da legislação: as casas são obrigadas a ter uma bandeira na sua frente, sob risco do morador ser multado, e;
2 - Havia nos jornais e noticiários uma acalorada discussão sobre a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte para meninas maiores de 14 anos. A distribuição da pílula se daria diretamente nas escolas, o que estava causando horror nas tradicionais famílias chilenas. Quem diria?
3 - mais uma sessão de besuntamento com hidratante para não sofrer demais durante a viagem com o ardor da pele queimada.

A viagem foi tranquila até Villa Alegre, assim como o trajeto de meia quadra entre o ponto de parada do ônibus e a casa da minha velha avó materna.
Chegamos lá, conversamos um monte e improvisamos um almoço de pamonha salgada e salada de alface e tomate: minha avó não tinha certeza do horário em que chegaríamos e não havia preparado nada mais consistente.
Mesmo assim, eu consegui matar a saudade do colo e fiquei tão perto da velhinha que a Minha Mineira deve ter sentido uma pontinha de ciúme.
Foi minha avó quem cuidou de mim quando eu tinha uns 3 ou 4 anos e minha mãe trabalhava fora da cidade. Ela passava vários dias longe de lá e com isso o caminho ficou aberto para a velhinha me ensinar a não comer gordura de bife, a comer pastel de choclo com açúcar e outras frescurinhas que me acompanham até hoje.
Bons tempos aqueles!



Villa Alegre de Loncomilla continuava praticamente como eu a havia deixado em 2004.
Indo um pouco mais além, ela não havia mudado muito desde 77 quando meu Tata morreu e eu parti.
Minha velha avó já não estava mais na casa grande e não havia mais a vinha para brincar, mas o lugar ainda guardava milhares de lembranças de um tempo em que só tinha que me preocupar em dar cabeçadas em quem me incomodava.
Isso incluía minha mãe e minha avó. Pobrezinhas.


Propriedade villalegrina típica


Enquanto minha avó e meu tio estavam em um funeral, nós fomos caminhando até a vinícola Carta Vieja para comprar algumas garrafas de tinto direto da fábrica. Isso não era estritamente necessário do ponto de vista prático, mas como o que importava era a simbologia, fomos felizes e acabamos sendo surpreendidos pela possibilidade de fazer um passeio pelas instalações, que não estavam a todo vapor devido à distância da época da colheita (fevereiro).
Eles não estavam lá muito preparados para receber turistas, mas ao mesmo fizemos um bom passeio e compramos algumas garrafinhas.


A sede da Carta Vieja



Vinhas em crescimento


Quando voltamos, minha avó e meu tio já estavam em casa, o que nos rendeu mais algumas horas de boa conversa.
Só paramos quando eu mencionei a vontade de tomar vinho pipeño, uma espécie de vinho caseiro pouco recomendado pelas autoridades sanitárias, mas muito apreciado no interior do país. Na mesma hora meu tio se ofereceu para ir às compras comigo.
Minha mineira ficou "conversando" com a minha avó e eu fui com ele até a casa de um amigo, notório distribuidor daquela maravilha líquida.

A expectativa era grande e foi plenamente satisfeita quando o proprietário, que se lembrava de mim com quatro anos de idade, nos serviu um par de copos como degustação.
A conversa estava boa e só conseguimos ir embora depois do quarto copo e só por que aproveitamos a chegada de um caminhão com uns 50 garrafões de 50 litros. Aquela compra massiva nos salvou do belo porre que já estava encomendado.

Voltamos, jantamos, vimos um programa de TV sobre a busca de esposas na Rússia por homens chilenos, nem sempre com resultados felizes, e fomos dormir.
O dia havia sido longo e o nível alcoólico favorecia a chegada de Morfeu.

Gastos:
Táxi - $ 5400,00
Vinhos - $ 10500,00

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Terça-feira, Setembro 12, 2006

Primeira tentativa

Acordar às seis da manhã quando se está de férias e quando se visita um lugar no fim do inverno deveria ser proibido por leis internacionais e passível de prisão sem fiança ou apelação.
Como era a Minha Mineira quem havia solicitado esse esforço para ter sua primeira experiência com esportes de inverno, nada mais natural que eu fizesse valer a promessa que fiz lá em cima no altar e me livrasse das garras daquela cama que teimava em não me deixar sair em direção ao banheiro.

Pegamos nossa já velha conhecida Linha Vermelha do Metrô e fomos novamente até a Ski Total na estação Escuela Militar.
Desta vez já estávamos encaminhados e tivemos apenas que retirar nosso equipamento e entrar na van que nos levaria até El Colorado.

A viagem demorou cerca de 90 minutos em uma estrada não muito estreita e bem sinalizada. No início, o tempo não nos ajudou muito e havia muita neblina, mas depois de uma certa altitude, as nuvens ficaram para trás e o sol se abriu forte e bonito.
Aliás, essa é uma característica dessa estação: por estar a cerca de 3000 metros de altitude, sensivelmente mais alta do que a média da estações, poucas nuvens encobrem o lugar e é preciso um cuidado ainda maior com a proteção contra o sol.



Chegamos lá, nos situamos e fomos trocar de roupa no vestiário.
Nos sentimos bastante estranhos com aquelas botas duras e aquelas roupas grossas, mas demos um jeito e finalizamos a transformação.
Como não tínhamos muita idéia de como era o contato com a neve, acabamos reforçando nos agasalhos e só ao longo do dia fomos entender o quão errada seria essa decisão: as roupas de neve são muito quentes e mesmo que vc esteja sem nada por baixo, o suor será exagerado e qualquer roupa que estiver ali ficará encharcada.

Demoramos um pouco para chegar até o local da aula, a escola Los Zorros, e aguardamos alguns minutos até a chegada do professor. Justo quando ele chegou, me dei conta que precisava de pilhas para a máquina fotográfica e que havia perdido a chave dos armários que havíamos alugado para guardar nossas coisas.
Lá fui eu enfrentar a ladeira de neve que nos separava dos armários e, depois de muita busca e raiva, voltei para a aula com quase uma hora de atraso.
Tudo bem que parte desse atraso foi por conta do próprio professor, mas de qualquer maneira, ele não demonstrou muita satisfação por estar ali e nos deu uma aula bastante instrutiva e importante, mas bem pouco calorosa e gentil.



Depois de uma hora de pouca paciência, ele nos liberou para a pista de iniciantes (nosso pacote incluía o acesso a Colorado Chico, além do transporte e da aula) e nos desejou sorte. Deve ter desejado que quebrássemos a perna também, mas isso é uma liberalidade minha. De qualquer maneira, o que ele nos ensinou foi bastante útil, principalmente quando ficamos a ponto de quebrar uma ou ambas as pernas.

Antes de encarar a pista com nossos recém-adquiridos conhecimentos de esqui, paramos para comer uma pizza bastante razoável na lanchonete vizinha à escola de esqui, descansamos e só então partimos para o suicídio montanha abaixo.

Ao chegar ao início da pista, tivemos uma desagradável surpresa: por mais que o professor tivesse nos mostrado os rudimentos dos processos de tirar e colocar os esquis, de andar para frente e para o lado e de controlar a velocidade e a direção do trajeto, ele não mencionou nada sobre o mecanismo que nos levaria montanha acima, uma espécie de âncora amarrada a um cabo que ficava correndo sem parar como um teleférico e precisava ser agarrada com força para se chegar aos pontos onde começava a descida.



Logo na primeira tentativa de subir, tentei me sentar na âncora e caí. Fui arrastado por alguns metros e fiquei bem na trilha das pessoas que subiam.
Aos gritos o responsável pelo arrasto me indicou a melhor forma de me equilibrar e voltei ao início.
Obtendo finalmente um pouco da solidariedade tão necessitada pelos iniciantes, fui orientado a não me sentar no dispositivo, mas sim a encaixá-lo nas minhas pernas e me manter equilibrado.
Para minha surpresa, a orientação funcionou e lá estava eu subindo a montanha de neve, meio claudicante, é verdade, mas ainda assim subindo.

Logo depois eu tive mais uma experiência traumático no primeido contato com a neve: também não havia recebido orientações sobre como me desvencilhar da âncora e não esperei até estar no plano ou na descida para me soltar. Resultado: larguei a corda e comecei a descer, desesperado para parar e não ser atropelado por quem vinha atrás.
Depois de cair, tirar os esquis e me arrastar até o início da descida, consegui me juntar à Minha Mineira e nos preparamos para a parte fácil: utilizar nossas habilidades e descer a montanha.



Mal sabíamos nós que o pior estava para começar.
Enquanto ela se esforçava para ficar em pé, eu me joguei uma vez e desci o morro freiando como doido e cheguei lá embaixo.
Ela tentou, caiu, tentou, caiu e eu subi de novo para encontrá-la.
Novamente tive problemas ao sair do arraste, mas consegui chegar até onde ela estava e me concentrei em ajudá-la a descer.
Apesar dos meus esforços, o máximo que consegui foi torcer o joelho dela enquanto a ajudava a levantar e depois de mais uma dezena de tombos descontrolados, ela decidiu desistir e desceu a pista a pé.
Eu ainda desci mais duas vezes, sendo uma delas da parte mais alta da pista.
Como só tem medo quem sabe o que está fazendo, eu desci com a cara e a coragem e quase me matei umas três vezes. Caí de cara, de lado, de costas e depois de uns cinco minutos consegui chegar ao fim do trajeto que deveria durar, no máximo, um.

Com o corpo todo doendo fui encontrar a Minha Mineira que já estava passando meio mal de tanto sol e tombo.
Nessa hora entendemos que nosso maior problema não era não saber esquiar, mas sim não ter usado a dose correta de protetor solar. Além do cansaço, estávamos começando a lidar com o calor do rosto queimado e isso certamente nos traria problemas mais tarde.

Ainda faltavam 90 minutos para a saída da van, mas nenhum de nós tinha energia para mais nada. Ao invés de tentarmos descer novamente a montanha, tiramos a roupa de esqui, nos vestimos, colocamos o equipamento na van e ficamos ali apreciando a paisagem.
A Minha Mineira já dava os primeiros sinais de insolação, mas foi só no caminho de volta que a coisa pegou: ela passou mal e teve ânsias que obrigaram o motorista a parar e aguardar que ela se recuperasse.

Vim o caminho todo preocupado com ela, que trocou de lugar com uma brasileira que estava voltando do Atacama e havia praticado snow board na estação.
Voltamos à Ski Total, devolvemos o equipamento, nos despedimos dos brazucas que encontramos, inclusive de um curitibano que havia conhecido a namorada na Nova Zelândia e que havia se mudado para o Chile para ficar mais perto dela.
Como a Minha Mineira estava muito fraca, resolvemos pegar um táxi e voltamos para a casa do meu amigo em Providencia.

Ambos chegamos acabados no apartamento, mas ela estava pior e o princípio de insolação estava pegando, por isso a fiz tomar banho e se deitar, enquanto eu lhe servia soro caseiro (pela segunda vez desde que estamos juntos) e providenciava a hidratação do seu rosto com creme. Fiz isso por algumas horas até que ela adormeceu e eu fui ver "Nip tuck" na sala.
Depois de algum tempo, eu também fui dormir já que na manhã seguinte seguiríamos para o Sul.

Gastos do dia:
Metrô - $ 1840,00
Transporte - $ 16000,00
Armários - $ 6000,00
Almoço - $ 8500,00
Lanche - $ 3800,00
Bebidas - $ 1900,00
Táxi - $ 4500,00

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Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Infeliz aniversário

Mais um aniversário do golpe. O primeiro que passei no Chile desde que vim para o Patropi.
Apesar de ter voltado várias vezes para a terra natal, era sempre Verão o que nunca me permitiu contato com o ranço e com a mágoa que este dia segue trazendo para o povo chileno.
Neste dia, 33 anos antes, Pinocho e seu dinheiro yankee derrubavam Allende, um presidente socialista que, se não estava fazendo um governo perfeito, ao menos contava com o apoio do povo.
Sei que isso pode render uma conversa de horas sobre se foi bom ou ruim para o país ter uma ditadura militar, por isso vou voltar para as questões turísticas.

Se para mim aquela data não representava muito, para os que ficaram no Chile ela dizia tudo e era a ocasião perfeita para extravasar toda a sua raiva e frustração.
Alguns aproveitam para mostrar a sua safadeza também, mas graças a Deus esses são minoria.
Por conta do medo de ficar presos em alguma confusão, resolvemos ficar longe do Centro e mais longe ainda de Valparaíso, sede do Congresso, onde tradicionalmente acontecem enfrentamentos entre manifestantes e carabineros.

Nosso programa naquele dia seria bastante simples: visita à vinícola Cousiño Macul e compra das passagens para Concepción (para visitar a minha irmã) ou Villa Alegre (para matar a saudade do colo da minha avó).
Ligamos para a vinícola paa garantir o lugar e caminhamos até a estação Los Leones para ir até lá.
Tínhamos a opção de visitar também a Concha y Toro, mas como tenho um carinh especial pelo Antiguas Reservas, preferimos a Cousiño mesmo.

Fizemos baldeação para a linha 5 (azul) na estação Tobalaba e seguimos por nove estações até Quilin. Saindo da estação, pegamos um táxi em frente a um supermercado e rapidamente chegamos à vinícola.
Poderíamos ter feito o trajeto a pé, mas não tínhamos idéia da distância e preferimos não arriscar.


A Cousiño Macul


Ao chegar, percebemos que não éramos os únicos visitantes do Brasil.
Aliás, os não brasileiros eram minoria, apenas uma família de aparência européia e eu, que apesar de parecer brazuca, ainda sou chileno de nascença.


Enoteca


O passeio foi muito interessante e vimos a Enoteca, os tanques de madeira (históricos) e de aço (mais atuais), os barris de envelhecimento e também o maquinário original da época em que a vinícola foi fundada.
O ponto alto da visita foi a degustação do vinho Gris, um vinho feito com uvas Cabernet Sauvignon, portanto tinto, mas que utiliza o processo de elaboração do vinho branco, ou seja, a fermentação não utiliza a casca da uva que acaba dando a coloração ao líquido.

O tal Gris era um vinho leve e delicioso, ideal para ser tomado no Verão já que fica bom mais fresco, quase gelado.
Foi necessária apenas uma tacinha (que aliás era um brinde incluído na visita) para que nos convencêssemos de que valia a pena comprá-lo e foi com essa intenção que finalizamos a visita e fomos gastar alguns dinheiros na lojinha da Cousiño.
Tive que resistir à tentação de comprar bonés, chaveiros e camisetas e me concentrei apenas nos vinhos.


Maquinário vintage


Depois das compras, ficamos conversando com um grupo de brasileiros que estavam de viagem marcada para Macchu Picchu por terra e ficamos espantados com a disposição deles. Quer dizer, fiquei sem saber se o que os motivava era a disposição ou a total falta de conhecimento sobre o que eles encontrariam por lá. Vai saber.

Mais um táxi (por conta das garrafas compradas) e uma viagem de metrô e estávamos de volta a Los Leones, justo a tempo de largar as coisas no apartamento e arrumar uma mesinha no interessante restaurante Giratório, que ficava ali do lado.
Como o nome já diz, a principal atração do lugar era a sua movimentação que causou um belo desconforto no início, mas que depois nos divertiu bastante.
O maquinário do restaurante faz com que ele dê uma volta completa em cerca de 90 minutos, o que garante uma refeição "movimentada".
A comida era boa e o vinho também.

De barriga cheia, emendamos uma nova viagem de metrô até a Escuela Militar e finalmente fechamos um passeio para esquiar.
Achamos que nosso nível "amebóide" de esqui não merecia Valle Nevado e por isso fechamos com El Colorado, uma estação próxima, muito mais simples e sensivelmente mais barata.
Nosso pacote incluía o transporte de ida e volta em van, o tíquete para a pista e uma aula básica para garantir que a gente não se matasse logo ao colocar os esquis.
O caro equipamento (esquis, roupas, luvas, botas e bastões) teve que ser alugado à parte.

Com o passeio do dia seguinte garantido, restava comprar as passagens de ônibus para o Sul. Como eu finalmente havia conseguido falar com a minha avó, resolvemos ir para Villa Alegre e por isso pegamos novamente o metrô na Escuela Militar e seguimos a linha vermelha até a estação Universidad de Santiago, onde ficavam as empresas que iam para onde queríamos.
O metrô estava super-lotado e tivemos bastante dificuldade para não sermos esmagados, mas o final tudo deu certo, conseguimos comprar nossas passagens (em dinheiro, por que eles não aceitavam cartão) e voltamos para o apê.

Antes de jantar, demos um pulo na Falabella paa comprar um presente para a minha amada sobrinha e logo depois rumamos de carro (que medo) para o elegante bairro de El Golf, um lugar renovado, cheio de prédios bonitos e com um inconfundível ar de Berrini, tal a sensação de estar rodeado de grandes empresas,
Nosso destino era o aconchegante Akai Sushi, um japonês gostoso de barato, onde encontramos um casal amigo do meu amigo. Ele era peruano e ela colombiana, mas isso não fazia muita diferença na nossa mesa internacional.
O curioso é que, naquela mesa, chilenos eram minoria: só eu.

Voltamos para casa meio correndo por que o dia seguinte seria pesado e começaria muito cedo.

Gastos do dia:
Metrô - $ 3700,00
Vinícola (passeio) - $ 10000,00
Vinhos - $ 35320,00
Táxi - $ 1550,00
Táxi - $ 1500,00
Almoço - $ 26500,00
Chocolate - $ 990,00
Equipamento de esqui - $ 56000,00
Aulas de esqui - $ 31000,00
Passagens de ônibus - $ 9000,00
Presente - $ 2990,00
Armário (no supermercado) - $ 100,00
Supermercado - $ 2770,00
Jantar - $ 8000,00

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Domingo, Setembro 10, 2006

O centro e os protestos


Santiago


Ter passado a vida inteira no Brasil me deixou bastante distante da vida cotidiana do Chile e de todos os efeitos que o golpe causou no povo e na sociedade.
Um desses efeitos foi a "comemoração" que acontece todos os anos e que bagunça o centro de Santiago de uma forma que turista nenhum gostaria de ver.
Mas como nem meu amigo peruano tinha muita idéia da extensão que a bagunça teria, saímos de casa relativamente cedo para passear pelo Centro, comer alguma coisa e, obviamente, tirar um caminhão de fotos.


O mapa do metrô


Pegamos a linha vermelha do metrô na estação Los Leones e fomos no sentido San Pablo até a estação La Moneda, que obviamente ficava ao lado da sede do governo chileno.
Lá tivemos o primeiro contato com o ressentimento dos que não concordaram com o golpe, ressentimento esse que foi demonstrado na forma de quebradeira e vandalismo.


Um efeito do vandalismo


Por conta dos distúrbios do dia anterior, o Palácio e seus arredores estavam fechados, todos protegidos por cercas de metal e carabineros, a Polícia Militar local.
Foi chato por conta do nosso desejo de conhecer o lugar, mas não podíamos fazer nada.
Mais tarde escutamos discussões sobre a participação de baderneiros e ladrões nas manifestações. Eles diziam que esse povo ruim se misturava à multidão para depredar e roubar, enquanto outros gritavam e achavam que estavam fazendo a diferença.
Uma prova de que gente desonesta e malvada existe em todo lugar deste mundão.


La Moneda


Mesmo com um certo receio do que poderia acontecer durante o dia, decidimos seguir nossa caminhada e pegamos o Paseo Ahumada, um calçadão cheio de cafés e lojinhas que nos levava diretamente à Plaza de Armas, o coração da cidade.
Lá visitamos a maravilhosa Catedral Metropolitana, assistismos a uns shows improvisados de música e dança, visitamos algumas barraquinhas de artesanato e seguimos a caminhada rumo ao Rio Mapocho.


A Catedral Metropolitana


Quase na beira do rio fica o famoso Mercado Central de Santiago, uma bela construção ao estilo inglês onde todo turista acaba parando quando procura por comida típica e estrutura poliglota.
Quer dizer, o poliglota aí é meio que exagerado, mas até que os garçons se esforçam e se fazem entender para agradar aos turistas de todas as partes do mundo.

A única coisa que me desagradou no Mercado foi o assédio exagerado do povo do Donde Augusto, um restaurante que já domina quase que metade do lugar. Eles adoram adivinhar de onde o turista vem entre outras técnicas de atração de consumidores.
Meio que por birra, não aceitamos o assédio de nenhum deles e atravessamos todo o Mercado até sairmos por uma porta que dava exatamente para o Rio Mapocho.


O Mercado Central


Lá encontramos um restaurante chamado El Galeón, cujo assédio moderado e instalações curiosas nos chamaram a atenção: ele ficava meio dentro, meio fora do Mercado e nos pareceu simpático.
Como ainda não estávamos com fome, decidimos caminhar até o Centro Cultural Estación Mapocho, uma antiga estação de trens transformada em local para exposições e eventos, onde encontramos uma bela exposição de fotos de uma entidade chamada Oxfam.


O Centro Cultural Estación Mapocho


A idéia da exposição era chamar a atenção para práticas injustas ou prejudiciais de comércio, seja para quem produz, seja para quem consome o produto, e a forma que a Oxfam encontrou para isso foi colocar uma série de famosos em contato com o tal produto e um texto falando sobre quem era prejudicado com a exploração ou comércio irresponsável dele.
Foi um tal de Bono com açúcar, Chris Martin com arroz, Thom Yorke com chocolate e Alanis Morrissette com trigo que não tinha como não chamar a atenção.
A idéia do comércio justo pegou e as imagens ajudaram muito.


Bono no Mapocho



O folder da exposição


A fome já estava apertando quando fomos visitar outra exposição de fotos, ainda dentro do Mapocho. O lugar só tinha a sua entrada aberta à exposições e o pátio interior parecia em reformas ou em limpeza.
Caminhamos um pouco mais e acabamos entrando no Galéon onde enfrentamos, entre outras coisas, um belo mariscal especial e uma gelada garrafa de vinho branco.
Como já esperávamos, o garçom sacou que éramos do Brasil a tempo de pedir que a Minha Mineira se contentasse com um peixe grelhado.
Segundo ele, os brasileiros não costumam se dar bem com os coloridos frutos do Pacífico.
Depois que acabei de comer aquele monte de coisas coloridas, achei que ele tinha um pouco de razão, mas felizmente não sofri nenhum contratempo gastro-intestinal.


Mariscal especial


Alertados pelos garçons sobre alguns tumultos que haviam começado no Cemitério General e que ameaçavam caminhar para o Centro, voltamos por Ahumada e entramos na estação Santa Ana da linha verde do metrô.
Nosso destino era a estação Bellas Artes à partir da qual chegamos ao museu de mesmo nome em poucos minutos.
Infelizmente já era tarde e não valia a pena passear pelos corredores do museu, mas deu para perceber que ele é muito bem montado e que merece um passeio um pouco mais demorado.


O Museu de Belas Artes


Nossa idéia era subir o Cerro San Cristóbal de funicular, pegar o teleférico e caminhar até a casa do meu amigo e para isso nada melhor do que uma gostosa caminhada pelo pequeno e belo Parque Forestal.
O lugar estava cheio das tais "árvores secas", tão amadas pela Minha Mineira, e começava em frente ao Bellas Artes para terminar pertinho de Bella Vista, um bairro tão boêmio quanto a Bela Vista daqui.

Caminhamos um bom tanto, atravessamos o Mapocho, seguimos por Bella Vista até a entrada do funicular, uma construção que lembrava um castelo medieval e que dava acesso tanto ao dito cujo quanto ao zoológico.
Decidimos deixar os bichos para depois e compramos os tíquetes de subida pelo funicular e descida pelo teleférico.


A entrada do funicular



A subida


Depois de uma subida meio amedrontadora pela aparente precariedade do tal funicular, chegamos ao topo do morro onde tivemos uma bela vista de parte da cidade.
A poluição não ajudou muito mas conseguimos ver que Santiago tem uma quantidade de prédios infinitamente inferior à nossa Sampa, e que isso pode ser um belo motivo para se morar por aqui.


Santiago vista de cima


Bem do lado do mirante fica uma escadaria não muito grande que leva até o pé de uma imagem da Virgem da Imaculada Conceição, onde não há como não se sentir mais próximo da Comissão Técnica do Céu.
Ficamos una minutos ali, apreciando a paisagem e, por que não, rezando para que o resto da viagem fosse igualmente sereno e gostoso.


A Virgem da Imaculada Conceição


Seguimos nosso plano à risca e pegamos o teleférico para voltar para casa.
Uma vez lá dentro, pensei em todas as centenas de vezes que meus primos me convenceram a não fazer aquele passeio por ser uma coisa de turistas e me arrependi de não tê-los ignorado.
Não que não fosse mesmo coisa de turistas, mas como era essa mesma a nossa posição na capital dos chilenos, tínhamos mais é que aproveitar um passeio bonito e gostoso como aquele.

Depois do desembarque, caminhamos pela Avenida Pedro de Valdivia até o Rio Mapocho e de lá de volta para a casa do meu amigo.
Uma caminhada agradável de uns 15 minutos que nos levou por ruas arborizadas e limpas, bem ao estilo da nossa moradia ideal.

Uma vez banhados e descansados, resolvemos correr atrás de passeios a estações de esqui (a Minha Mineira venceu mais uma) e tomamos novamente a linha vermelha em Los Leones, sentido Escuela Militar.
Descemos na última estação e caminhamos por uma avenida larga e movimentada (Américo Vespúcio?) até chegarmos a um pequeno centro comercial onde ficavam as lojinhas que vendiam os passeios.
Infelizmente elas estavam fechadas e não conseguimos muita informação além de um desalentador boletim meteorológico informal, cortesia de um tiozinho que trabalhava ali, que dizia que os próximos dias seriam muito ruins para o esqui.

Como não havia muito o que fazer, fizemos o caminho de volta e tomamos de novo a linha vermelha, desta vez rumo à Estación Central, onde meu amigo tentaria conseguir passagens de trem ou de ônibus para Pucón.
Ele e uns amigos haviam esquecido de planejar o feriado e agora estavam desesperados correndo atrás de passagens e hospedagem no Sul.

Novamente não obtivemos sucesso e não nos restava outra coisa a não ser voltar para casa e comer.
As idas e vindas já haviam nos deixado famintos e fomos nos refugiar no bom e honesto Los Insaciables, que ficava no quarteirão ao lado do apê do meu amigo.
Apesar do constante cheiro de cigarro, acabamos comendo bastante bem e só não esticamos a noite por que o povo queria voltar logo para casa com medo dos tumultos que já estavam rolando em outros cantos da cidade.
Isso nos fez lembrar que o dia seguinte seria o aniversário do golpe e que por isso teríamos várias razões para não colocar o nariz para fora de casa.

Gastos do dia:
Metrô - $ 1480,00
Banheiro público - $ 100,00
Água mineral - $ 500,00
Almoço - $ 26140,00
Teleférico/funicular - $ 3400,00
Metrô - $ 1580,00
Jantar - $ 15335,00

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